Não era linda com as garotas das revistas.
Amanda era melhor que elas, de um jeito fascinante.
A maneira que ela ria. O sorriso que ela dava.
As bochechas coradas quando eu dizia algo bonito a ela.
Tudo nela era diferente. Diferente de um jeito bom. Ela me deixava nervoso de um jeito que eu gostava.
Eu já havia tentado lhe dizer outras vezes sobre meu interesse por ela.
Mas era tão inútil.
Eu não conseguia dizer aquela doce criatura o quanto eu a amava.
Os meus fantasmas do passado foram embora no momento que eu a conheci.
Eu a amei desde o primeiro dia.
Antes de nós conhecermos. Eu já a amava.

Todos a estranhavam comigo.
Eu era o esquisito da turma. O garoto nerd que vocês só falam pra pedir ajuda pra prova.
Ela era muito ocupada. Com o clube de teatro, com as aulas de arte. Dava aulas de dança em um orfanato por caridade e chamava essas crianças de pipocas da tarde. Dizia que eram suas melhores amigas. E eu vinha logo depois delas.
Como era difícil da gente se ver sempre, todos os dias ela passava por mim na biblioteca, beijava meu rosto e falava alguma coisa do tipo: “Chaveirinho, para de estudar um pouco. Mais tarde canto um mantra no telefone pra você relaxar. Não esquece de mim, hein. Não esquece de mim, mesmo tendo mil mulheres mais interessantes do que eu nesses seus livros.” Não tinha. Amanda era com certeza a garota mais interessante que eu conhecera, ou que eu lera.
Amanda era minha amiga e minha inspiração. E nunca deu a mínima para os garotos do time de futebol, ou pra o clube de luta.
Aquele ser extraordinário me ligava todos os dias e às vezes só pra falar que tinha aprendido a estalar os dedos. Ou pra me dizer que tinha batido o recorde no cuspe a distância.
Não julgue minha Amanda mal. Ela era uma criança no corpo de Afrodite.
Ela dizia pra mim que eu não devia ligar para o que outros pensavam ou falavam de mim. Falava-me que o que os outros pensam não é da minha conta.

Ela fazia tudo pra que eu me sentisse bem. E pra esconder toda a minha inferioridade.
Eu não era inferior por causa das minhas roupas, ou dos meus óculos.
Mas ela era tão melhor que todos que seria muita prepotência minha igualar-me a ela.
Ela nem notava essa superioridade toda. Isso faz parte da superioridade dela.
Ela não nota nada. E cantava e dançava e iluminava meus dias. A vida com ela era uma surpresa. Tudo era inusitado.
Se Amanda fosse uma música ela seria as melhores notas.
Até hoje. Todos os sábados dela são meus.
Nos sentamos em algum lugar do campus e ficamos a observar estrelas. Na verdade, ela as observa. Eu só observo a ela, Amanda.

" (...) alguns podem me dizer que uma garota assim nunca se interessaria por um cara como eu. A esses eu digo: nós não sabemos de nada. Não sabemos como curar um resfriado nem no que os cães estão pensando. Fazemos coisas terríves, fazemos guerras, matamos pessoas por ganância. Então, quem somos nós pra dizer como amar? Eu não a forçaria. Estaríamos apaixonados. O que é que vocês sabem ? Vocês não sabem de nada. Fale comigo quando tiverem curado a aids, liguem pra mim então e aí eu vou ouvir. "
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