sexta-feira, 11 de junho de 2010

Aos corações desavisados

O tempo era leve.
Nova York fica linda no outono.
No Central Park o sol brilhava de um jeito diferente.
E nesse dia todos os pássaros resolveram me cortejar.
O cenário era belo. E o quadro estava ainda sendo pintado.



Se eu fosse dona de jornal, nesse dia, eu escreveria:
“Dia perfeito pra se apaixonar.”

Alguns cigarros e meio capuccino e ele apareceu.
Já tinha lhe visto antes. Na biblioteca.
Conversamos um pouco sobre o tempo. Rimos do outros. Sorrimos e fomos cúmplices.
Ele tinha aquele ar de ‘sou o cara certo no momento errado’.
Eu passava meus dias no ócio enquanto ele parecia ser demasiadamente atarefado.
Estava sempre com o andar depressa. Os gestos rápidos. As palavras ligeiras. Certeiras.
A única coisa devagar nele era o olhar.
Olhar que me dizia tão pouco. Mas que me dava a certeza de que eu tinha muito a descobrir.
Eu gostava daquele cara.
E sei que ele gostava de mim também. Acho que era a única coisa que consegui descobrir com aquele olhar. E todo seu jeito arisco. Escorregadio. Delicioso.

Ele falou-me que parecia que eu tinha saído de um filme de Woody Allen e pousado diretamente na vida dele. Ele me disse que eu estava linda.

Perguntou-me meu telefone. Perguntou o que eu ia fazer mais tarde. Perguntou-me se eu acreditava no amor.
Que tarde de linda de outono. Obrigada, Nova York.
Respondi-lhe que sim. E quis saber dele.
Fred me surpreendeu ao responder: “O amor não é pra mim, o amor é pra quem acredita nele.”.
E me olhava como se fosse natural.
O amor estava ali, Santo Deus. Sentado ao nosso lado. Mas será possível que ele não via?
Fred não via.
Ele só olhava para meus seios.
Para meus olhos.
Era incapaz de ver através de mim. Através de nós.
Em meio a toda a sua ligeireza esqueceu-se de acreditar.
E eu em meio a nós dois. Esqueci de ser cautelosa.

Olhando para aquele jornal de novo vi o que antes não percebera.
“Dia perfeito pra se apaixonar. CUIDADO!”.

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