No céu, as estrelas brincavam de encantar.
No chão, no píer. O silêncio reinava. E as mãos dançavam sobre seus corpos enfeitados.
Deitados a nenhum centímetro de distancia um do outro.
Os olhos parados nas estrelas. Na imensidão daquilo.
E a mente, parada nos dois.
Ela tinha um olhar interrogativo.
De como quem diz, no fundo “O que eu tô fazendo aqui?”.
Ela queria estar com ele. Isso é obvio. Ela o amava.
Programou aquela noite muito antes que chegassem ali. Pensou no que vestiria no que falaria e como agiria depois de tanto tempo sem ver seu príncipe.
Mas então, por que aquele olhar, era o que ele se perguntava.
Ele a amava. Não o suficiente pra fazê-la feliz. Não o suficiente pra ser só dela. Não o suficiente para mante-la segura. Não o suficiente para não ir embora.
Mas amava...
Ele tinha muitos lugares pra ir. Muitas pessoas pra conhecer.
E muito pouco tempo para gastar com ela. O amor de sua vida.
E por mais que ela sempre quisesse negar isso. Ela conhecia cada um desses pontos obscuros da mente de seu general.
Ela ia ao encontro dele a cada estação que passava.
E sempre se perguntando o porque.
Ele não podia fazer isso com seu coraçãozinho frágil e por tantas vezes partido.
Mas ela ia. Porque sabia que não podia viver pra sempre sem ele.
Porque por mais que demorasse a chegar. Era sempre mágico quando acontecia.
Ele, tão tolo e tão leviano, não sabia que causava todo esse efeito nela. Nem fazia idéia.
Ele sempre se sentiu como um passatempo nas mãos daquele pequeno raio de sol deitado em seu peito, naquela noite linda no píer.
O fato era que ele era muito mais que isso.
Passavam festas, bares e fins de semana e ela em casa estudando. O pouco tempo que tinha para pensar na vida, pensava nele.
Ela chegou a ter outros. Mas eram só outros.
Ela dizia pra si mesma ‘Estou no controle, e ele é só mais um.”.
Mas ela não era burra, ingênua talvez, burra não. Sabia que já estava presa numa estrada desconhecida, e completamente perdida entre sentimentos tão nobres.
Ele ria. Ria e falava bobagens. Mãos suadas e palavras tortas. Nunca sabia direito o que dizer. O que causava nela risadinhas sarcásticas que a lembravam de que mesmo ele sendo um tolinho ela era louca por ele. Por cada sorriso inesperado. Por cada telefonema indesejado, por cada falta cometida. Ele era assim. Incrivelmente particular e único.
Por vezes estranho, mas único.

A noite passava. O dia já ameaçava acontecer. Ele fez tudo que sempre fazia. Ele agiu da maneira como ela achou que agiria. E ela fez tudo certo.
Mas como tudo que já era certo de acontecer no fim da noite então, mais uma vez, ele se foi.
Sua. ♠
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