quinta-feira, 10 de junho de 2010

Divã

Tenho medo de mim, às vezes.



É como se fosse uma claustrofobia. Como se eu fosse uma espécie de elevador. Um elevador enorme. Com fundos falsos, alçapões, paredes como as dos filmes de James Bond. Que com um toque se abrem e revelam uma biblioteca ou uma sala cheia de armas. Eu me conheço e ao mesmo tempo sei que posso me surpreender a qualquer momento.

Sempre desprezei as coisas mornas.
As coisas que não provocam ódio nem paixão.
As coisas definidas como mais ou menos. Tudo perda de tempo.
Viver tem que ser perturbador.
É preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados.
E com eles sua raiva. Seu orgulho. Seu asco. Sua adoração. Ou seu desprezo.
O que não te faz mexer um músculo. O que não faz você estremecer. Suar. Desatinar. Não merece fazer parte da sua biografia.



Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior.
Tenho medo do que me impede de falhar.


(Texto inspirado no livro "Divã" de Martha Medeiros.)

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