Vá á guerra
não guarde para si cada suspiro
que finaliza o maldito prazer;
não seja A agradável,
seja A maldita,
mas tb maldiga;
dê asas a volúpia,
à fermentação da transgressão;
seja louca, mas não de amor,
e sim louca da vida;
acenda velas ao velho safado,
depois recite o melhor do velho Buk para sua mãe;
Mas no fim, saiba:
a vida pode ser muito mais que pequenos, pervertidos e sujos
pensamentos íntimos;
ela pode ser ordinariamente bem vivida.
À B.B.
http://tempestadedesabres.blogspot.com/ MUITO BOM!
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Seis comprimidos
Seis comprimidos.

E os pensamentos não param.Eu poderia ter escolhido uma forma mais rápida.
Queria que não desse tempo de pensar.
Um tiro na cabeça e pronto.
Eu ia embora sem pensar em como cheguei aqui.
Como cheguei aqui?
Será que foi porque ele não me abraçou mais forte?
Ou será que foi por causa de toda aquela confusão ao chegar em casa? Problemas com a minha principal voz feminina e com minha família. Toda ela.
Principalmente com ela. Que me pertuba a cada indireta. A cada gesto malicioso.
O infinito incomodo que ela me causa.
Como vim parar aqui? Depois de seis comprimidos que agora parecem ter atingido meu coração e eu me pergunto por quê.
Eu poderia ter fugido, e enganar todo mundo. Eu e ele. Nós íamos enganar a todos e rir deles pelas costas. Iríamos nos fazer de andarilhos e nos amar por entre arbustos.
Um tiro no peito seria mais simples.
Não seis comprimidos.
Minha cabeça gira. E tudo parece tão lindo agora.
Até ela, com todos os defeitos, com todos os defeitos que encontrava em mim. Parece tão boa e tão bela. De fato ela é.
E todos os cômodos da casa mostram os momentos lindos que presenciaram. Esquecem as brigas, as discussões e os aborrecimentos. Só coisas lindas.
E eu aqui. A espera de meu calvário.
Tentei mais de uma vez, antes de ingeri-los, achar uma razão para não fazer isso.
Esqueci do sofrimento que ia causar. Que causarei. Dos amigos que ia deixar. Dos momentos que ia perder. NADA. Não vinha nada em mente. Eu só pensava no que eles pensam de mim, uma adolescente rebelde causando um milhão de problemas e não acrescentando nada pra ninguém. Isso ia mudar. Iam lembrar tudo de bom em mim e se eu não tivesse iam inventar. Só porque não se deve falar mal dos mortos. E eu. Eu ia morrer jovem, como sempre quis.
E agora. Agora eu não sei como eu fui tão fútil.
Porque todos que me amavam vão sofrer sim. Mas vai passar e todos vão continuar suas vidas. Eu não.
Eles deviam ter dito pra mim mais vezes o quanto me amavam. E, Deus, deviam ter me amado.
Não podiam simplesmente pensar que o cargo que eles tinham na minha vida os tornaria imortais para mim. Não podiam.
Eu não podia ter os envergonhado. Eu sei que não.
Eles nunca poderiam ter sentido vergonha.
Mas isso tudo vai passar. O sofrimento está prestes a ir embora. E ele. Eu sei que vai ficar por aqui vivendo a vida de uma maneira linda e melhor do que eu sempre vivi.
Eu ficarei eternizada nele, pois ele tem e mantêm meu coração salvo e seguro.
Deito-me na cama, sinto os lábios dele nos meus.

E fecho meus olhos lentamente. Meu pensamento começa a ficar nebuloso e tudo em minha volta para. Se estou com medo? Não. Estou curiosa.

E os pensamentos não param.Eu poderia ter escolhido uma forma mais rápida.
Queria que não desse tempo de pensar.
Um tiro na cabeça e pronto.
Eu ia embora sem pensar em como cheguei aqui.
Como cheguei aqui?
Será que foi porque ele não me abraçou mais forte?
Ou será que foi por causa de toda aquela confusão ao chegar em casa? Problemas com a minha principal voz feminina e com minha família. Toda ela.
Principalmente com ela. Que me pertuba a cada indireta. A cada gesto malicioso.
O infinito incomodo que ela me causa.
Como vim parar aqui? Depois de seis comprimidos que agora parecem ter atingido meu coração e eu me pergunto por quê.
Eu poderia ter fugido, e enganar todo mundo. Eu e ele. Nós íamos enganar a todos e rir deles pelas costas. Iríamos nos fazer de andarilhos e nos amar por entre arbustos.
Um tiro no peito seria mais simples.
Não seis comprimidos.
Minha cabeça gira. E tudo parece tão lindo agora.
Até ela, com todos os defeitos, com todos os defeitos que encontrava em mim. Parece tão boa e tão bela. De fato ela é.
E todos os cômodos da casa mostram os momentos lindos que presenciaram. Esquecem as brigas, as discussões e os aborrecimentos. Só coisas lindas.
E eu aqui. A espera de meu calvário.
Tentei mais de uma vez, antes de ingeri-los, achar uma razão para não fazer isso.
Esqueci do sofrimento que ia causar. Que causarei. Dos amigos que ia deixar. Dos momentos que ia perder. NADA. Não vinha nada em mente. Eu só pensava no que eles pensam de mim, uma adolescente rebelde causando um milhão de problemas e não acrescentando nada pra ninguém. Isso ia mudar. Iam lembrar tudo de bom em mim e se eu não tivesse iam inventar. Só porque não se deve falar mal dos mortos. E eu. Eu ia morrer jovem, como sempre quis.
E agora. Agora eu não sei como eu fui tão fútil.
Porque todos que me amavam vão sofrer sim. Mas vai passar e todos vão continuar suas vidas. Eu não.
Eles deviam ter dito pra mim mais vezes o quanto me amavam. E, Deus, deviam ter me amado.
Não podiam simplesmente pensar que o cargo que eles tinham na minha vida os tornaria imortais para mim. Não podiam.
Eu não podia ter os envergonhado. Eu sei que não.
Eles nunca poderiam ter sentido vergonha.
Mas isso tudo vai passar. O sofrimento está prestes a ir embora. E ele. Eu sei que vai ficar por aqui vivendo a vida de uma maneira linda e melhor do que eu sempre vivi.
Eu ficarei eternizada nele, pois ele tem e mantêm meu coração salvo e seguro.
Deito-me na cama, sinto os lábios dele nos meus.

E fecho meus olhos lentamente. Meu pensamento começa a ficar nebuloso e tudo em minha volta para. Se estou com medo? Não. Estou curiosa.
aquele que mais uma vez se foi ...
Uma noite bonita.
No céu, as estrelas brincavam de encantar.
No chão, no píer. O silêncio reinava. E as mãos dançavam sobre seus corpos enfeitados.
Deitados a nenhum centímetro de distancia um do outro.
Os olhos parados nas estrelas. Na imensidão daquilo.
E a mente, parada nos dois.
Ela tinha um olhar interrogativo.
De como quem diz, no fundo “O que eu tô fazendo aqui?”.
Ela queria estar com ele. Isso é obvio. Ela o amava.
Programou aquela noite muito antes que chegassem ali. Pensou no que vestiria no que falaria e como agiria depois de tanto tempo sem ver seu príncipe.
Mas então, por que aquele olhar, era o que ele se perguntava.
Ele a amava. Não o suficiente pra fazê-la feliz. Não o suficiente pra ser só dela. Não o suficiente para mante-la segura. Não o suficiente para não ir embora.
Mas amava...
Ele tinha muitos lugares pra ir. Muitas pessoas pra conhecer.
E muito pouco tempo para gastar com ela. O amor de sua vida.
E por mais que ela sempre quisesse negar isso. Ela conhecia cada um desses pontos obscuros da mente de seu general.
Ela ia ao encontro dele a cada estação que passava.
E sempre se perguntando o porque.
Ele não podia fazer isso com seu coraçãozinho frágil e por tantas vezes partido.
Mas ela ia. Porque sabia que não podia viver pra sempre sem ele.
Porque por mais que demorasse a chegar. Era sempre mágico quando acontecia.
Ele, tão tolo e tão leviano, não sabia que causava todo esse efeito nela. Nem fazia idéia.
Ele sempre se sentiu como um passatempo nas mãos daquele pequeno raio de sol deitado em seu peito, naquela noite linda no píer.
O fato era que ele era muito mais que isso.
Passavam festas, bares e fins de semana e ela em casa estudando. O pouco tempo que tinha para pensar na vida, pensava nele.
Ela chegou a ter outros. Mas eram só outros.
Ela dizia pra si mesma ‘Estou no controle, e ele é só mais um.”.
Mas ela não era burra, ingênua talvez, burra não. Sabia que já estava presa numa estrada desconhecida, e completamente perdida entre sentimentos tão nobres.
Ele ria. Ria e falava bobagens. Mãos suadas e palavras tortas. Nunca sabia direito o que dizer. O que causava nela risadinhas sarcásticas que a lembravam de que mesmo ele sendo um tolinho ela era louca por ele. Por cada sorriso inesperado. Por cada telefonema indesejado, por cada falta cometida. Ele era assim. Incrivelmente particular e único.
Por vezes estranho, mas único.

A noite passava. O dia já ameaçava acontecer. Ele fez tudo que sempre fazia. Ele agiu da maneira como ela achou que agiria. E ela fez tudo certo.
Mas como tudo que já era certo de acontecer no fim da noite então, mais uma vez, ele se foi.
Sua. ♠
No céu, as estrelas brincavam de encantar.
No chão, no píer. O silêncio reinava. E as mãos dançavam sobre seus corpos enfeitados.
Deitados a nenhum centímetro de distancia um do outro.
Os olhos parados nas estrelas. Na imensidão daquilo.
E a mente, parada nos dois.
Ela tinha um olhar interrogativo.
De como quem diz, no fundo “O que eu tô fazendo aqui?”.
Ela queria estar com ele. Isso é obvio. Ela o amava.
Programou aquela noite muito antes que chegassem ali. Pensou no que vestiria no que falaria e como agiria depois de tanto tempo sem ver seu príncipe.
Mas então, por que aquele olhar, era o que ele se perguntava.
Ele a amava. Não o suficiente pra fazê-la feliz. Não o suficiente pra ser só dela. Não o suficiente para mante-la segura. Não o suficiente para não ir embora.
Mas amava...
Ele tinha muitos lugares pra ir. Muitas pessoas pra conhecer.
E muito pouco tempo para gastar com ela. O amor de sua vida.
E por mais que ela sempre quisesse negar isso. Ela conhecia cada um desses pontos obscuros da mente de seu general.
Ela ia ao encontro dele a cada estação que passava.
E sempre se perguntando o porque.
Ele não podia fazer isso com seu coraçãozinho frágil e por tantas vezes partido.
Mas ela ia. Porque sabia que não podia viver pra sempre sem ele.
Porque por mais que demorasse a chegar. Era sempre mágico quando acontecia.
Ele, tão tolo e tão leviano, não sabia que causava todo esse efeito nela. Nem fazia idéia.
Ele sempre se sentiu como um passatempo nas mãos daquele pequeno raio de sol deitado em seu peito, naquela noite linda no píer.
O fato era que ele era muito mais que isso.
Passavam festas, bares e fins de semana e ela em casa estudando. O pouco tempo que tinha para pensar na vida, pensava nele.
Ela chegou a ter outros. Mas eram só outros.
Ela dizia pra si mesma ‘Estou no controle, e ele é só mais um.”.
Mas ela não era burra, ingênua talvez, burra não. Sabia que já estava presa numa estrada desconhecida, e completamente perdida entre sentimentos tão nobres.
Ele ria. Ria e falava bobagens. Mãos suadas e palavras tortas. Nunca sabia direito o que dizer. O que causava nela risadinhas sarcásticas que a lembravam de que mesmo ele sendo um tolinho ela era louca por ele. Por cada sorriso inesperado. Por cada telefonema indesejado, por cada falta cometida. Ele era assim. Incrivelmente particular e único.
Por vezes estranho, mas único.

A noite passava. O dia já ameaçava acontecer. Ele fez tudo que sempre fazia. Ele agiu da maneira como ela achou que agiria. E ela fez tudo certo.
Mas como tudo que já era certo de acontecer no fim da noite então, mais uma vez, ele se foi.
Sua. ♠
terça-feira, 29 de junho de 2010
Histórias de um cabaré
Por aqui passaram muitas historias.
Pessoas.
Deixaram seus rastros. Seus beijos. Seus perfumes. Suas gorjetas.
E seu passado.
Cortejaram-me como uma dama. Ou como cortesã que sou.
Deitaram-se comigo e com outras.
Tentaram disfarçar a ilusão que criaram em um mundo sem nó e sem contra mão.

Por aqui passaram mendigos e ministros.
Condes, Duques e presidentes e comerciantes e feirantes e clientes.
Começaram romances e terminaram casamentos.
Por aqui passaram mulheres a procura de um lar.
Por aqui foram decididos assuntos de ordem mundial. E eu. Vi tudo.
Sentada no colo de um Judas. Eu o beijei.
Relações publicas sendo discutidas com um cortesã no colo. Com a honestidade beijando o pescoço de quem diria “Independência ou Morte”.
Capitu .
Pessoas.
Deixaram seus rastros. Seus beijos. Seus perfumes. Suas gorjetas.
E seu passado.
Cortejaram-me como uma dama. Ou como cortesã que sou.
Deitaram-se comigo e com outras.
Tentaram disfarçar a ilusão que criaram em um mundo sem nó e sem contra mão.

Por aqui passaram mendigos e ministros.
Condes, Duques e presidentes e comerciantes e feirantes e clientes.
Começaram romances e terminaram casamentos.
Por aqui passaram mulheres a procura de um lar.
Por aqui foram decididos assuntos de ordem mundial. E eu. Vi tudo.
Sentada no colo de um Judas. Eu o beijei.
Relações publicas sendo discutidas com um cortesã no colo. Com a honestidade beijando o pescoço de quem diria “Independência ou Morte”.
Capitu .
domingo, 13 de junho de 2010
Nossas cartas
"Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo."
Carta de Abelardo a Heloísa.
"É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo."
Carta de Heloísa a Abelardo
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo."
Carta de Abelardo a Heloísa.
"É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo."
Carta de Heloísa a Abelardo
FAZ DE CONTA, MARTHA
"Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO
Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.
Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.
Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.
Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.
Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.
Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.
Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.
Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy:FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI."
Martha Medeiros
Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.
Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.
Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.
Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.
Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.
Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.
Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.
Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy:FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI."
Martha Medeiros
Então Charlie Brown...
- Então Charlie Brown ...o que é amor pra você?
- Em 1987 meu pai tinha um carro azul
- Mas o que isso tem a ver com amor?
- Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir.
...acho que isso é amor
- Em 1987 meu pai tinha um carro azul
- Mas o que isso tem a ver com amor?
- Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir.
...acho que isso é amor
O vendedor de flores
" [...] Conversei uma vez com Pedro - o homem da flor. Já o vinha observando quando era o caso de estar num bar em que ele entrava. Via-o chegar e dirigir-se às mesas em que havia um casal. Pedia licença e estendia a cesta de flores sobre a mesa. Psicologia aplicada, dirão vocês, pois qual o homem que se nega a oferecer uma flor à moça que o acompanha, quando se lhe apresenta a oportunidade ? Sim, talvez Pedro seja um bom psicólogo mas, mais do que isso é um romântico. Quando o homem mete a mão no bolso e pergunta quanto custa a flor depois de ofertá-la à companheira, Pedro responde com um sorriso:
- Dá o que o senhor quiser, moço. Flor não tem preço ! "
- Dá o que o senhor quiser, moço. Flor não tem preço ! "
Nate, sobre Blair
Como um louco, eu

" - Uma vez li que existem algumas pessoas que nunca se sentem satisfeitas nesse mundo: é como se o mundo não oferecesse forma que essas pessoas anseiam. Foi numa coisa dessas de numerologia.
Pode ter sido uma grande bobagem, mas me fez refletir. Ser diferente não é ser
superior, não é melhor, nem pior, é viver na singularidade de cada um.
...e, apesar de achar o planeta lindo, apesar de achar a raça humana linda, ela não tem nada a ver comigo."
(Pedro Marchini)
Wait, Romeo
Do outro lado do lago
Uma vez, Amanda
Ela era algo que eu não consigo explicar.
Não era linda com as garotas das revistas.
Amanda era melhor que elas, de um jeito fascinante.
A maneira que ela ria. O sorriso que ela dava.
As bochechas coradas quando eu dizia algo bonito a ela.
Tudo nela era diferente. Diferente de um jeito bom. Ela me deixava nervoso de um jeito que eu gostava.
Eu já havia tentado lhe dizer outras vezes sobre meu interesse por ela.
Mas era tão inútil.
Eu não conseguia dizer aquela doce criatura o quanto eu a amava.
Os meus fantasmas do passado foram embora no momento que eu a conheci.
Eu a amei desde o primeiro dia.
Antes de nós conhecermos. Eu já a amava.

Todos a estranhavam comigo.
Eu era o esquisito da turma. O garoto nerd que vocês só falam pra pedir ajuda pra prova.
Ela era muito ocupada. Com o clube de teatro, com as aulas de arte. Dava aulas de dança em um orfanato por caridade e chamava essas crianças de pipocas da tarde. Dizia que eram suas melhores amigas. E eu vinha logo depois delas.
Como era difícil da gente se ver sempre, todos os dias ela passava por mim na biblioteca, beijava meu rosto e falava alguma coisa do tipo: “Chaveirinho, para de estudar um pouco. Mais tarde canto um mantra no telefone pra você relaxar. Não esquece de mim, hein. Não esquece de mim, mesmo tendo mil mulheres mais interessantes do que eu nesses seus livros.” Não tinha. Amanda era com certeza a garota mais interessante que eu conhecera, ou que eu lera.
Amanda era minha amiga e minha inspiração. E nunca deu a mínima para os garotos do time de futebol, ou pra o clube de luta.
Aquele ser extraordinário me ligava todos os dias e às vezes só pra falar que tinha aprendido a estalar os dedos. Ou pra me dizer que tinha batido o recorde no cuspe a distância.
Não julgue minha Amanda mal. Ela era uma criança no corpo de Afrodite.
Ela dizia pra mim que eu não devia ligar para o que outros pensavam ou falavam de mim. Falava-me que o que os outros pensam não é da minha conta.

Ela fazia tudo pra que eu me sentisse bem. E pra esconder toda a minha inferioridade.
Eu não era inferior por causa das minhas roupas, ou dos meus óculos.
Mas ela era tão melhor que todos que seria muita prepotência minha igualar-me a ela.
Ela nem notava essa superioridade toda. Isso faz parte da superioridade dela.
Ela não nota nada. E cantava e dançava e iluminava meus dias. A vida com ela era uma surpresa. Tudo era inusitado.
Se Amanda fosse uma música ela seria as melhores notas.
Até hoje. Todos os sábados dela são meus.
Nos sentamos em algum lugar do campus e ficamos a observar estrelas. Na verdade, ela as observa. Eu só observo a ela, Amanda.

" (...) alguns podem me dizer que uma garota assim nunca se interessaria por um cara como eu. A esses eu digo: nós não sabemos de nada. Não sabemos como curar um resfriado nem no que os cães estão pensando. Fazemos coisas terríves, fazemos guerras, matamos pessoas por ganância. Então, quem somos nós pra dizer como amar? Eu não a forçaria. Estaríamos apaixonados. O que é que vocês sabem ? Vocês não sabem de nada. Fale comigo quando tiverem curado a aids, liguem pra mim então e aí eu vou ouvir. "
Não era linda com as garotas das revistas.
Amanda era melhor que elas, de um jeito fascinante.
A maneira que ela ria. O sorriso que ela dava.
As bochechas coradas quando eu dizia algo bonito a ela.
Tudo nela era diferente. Diferente de um jeito bom. Ela me deixava nervoso de um jeito que eu gostava.
Eu já havia tentado lhe dizer outras vezes sobre meu interesse por ela.
Mas era tão inútil.
Eu não conseguia dizer aquela doce criatura o quanto eu a amava.
Os meus fantasmas do passado foram embora no momento que eu a conheci.
Eu a amei desde o primeiro dia.
Antes de nós conhecermos. Eu já a amava.

Todos a estranhavam comigo.
Eu era o esquisito da turma. O garoto nerd que vocês só falam pra pedir ajuda pra prova.
Ela era muito ocupada. Com o clube de teatro, com as aulas de arte. Dava aulas de dança em um orfanato por caridade e chamava essas crianças de pipocas da tarde. Dizia que eram suas melhores amigas. E eu vinha logo depois delas.
Como era difícil da gente se ver sempre, todos os dias ela passava por mim na biblioteca, beijava meu rosto e falava alguma coisa do tipo: “Chaveirinho, para de estudar um pouco. Mais tarde canto um mantra no telefone pra você relaxar. Não esquece de mim, hein. Não esquece de mim, mesmo tendo mil mulheres mais interessantes do que eu nesses seus livros.” Não tinha. Amanda era com certeza a garota mais interessante que eu conhecera, ou que eu lera.
Amanda era minha amiga e minha inspiração. E nunca deu a mínima para os garotos do time de futebol, ou pra o clube de luta.
Aquele ser extraordinário me ligava todos os dias e às vezes só pra falar que tinha aprendido a estalar os dedos. Ou pra me dizer que tinha batido o recorde no cuspe a distância.
Não julgue minha Amanda mal. Ela era uma criança no corpo de Afrodite.
Ela dizia pra mim que eu não devia ligar para o que outros pensavam ou falavam de mim. Falava-me que o que os outros pensam não é da minha conta.

Ela fazia tudo pra que eu me sentisse bem. E pra esconder toda a minha inferioridade.
Eu não era inferior por causa das minhas roupas, ou dos meus óculos.
Mas ela era tão melhor que todos que seria muita prepotência minha igualar-me a ela.
Ela nem notava essa superioridade toda. Isso faz parte da superioridade dela.
Ela não nota nada. E cantava e dançava e iluminava meus dias. A vida com ela era uma surpresa. Tudo era inusitado.
Se Amanda fosse uma música ela seria as melhores notas.
Até hoje. Todos os sábados dela são meus.
Nos sentamos em algum lugar do campus e ficamos a observar estrelas. Na verdade, ela as observa. Eu só observo a ela, Amanda.

" (...) alguns podem me dizer que uma garota assim nunca se interessaria por um cara como eu. A esses eu digo: nós não sabemos de nada. Não sabemos como curar um resfriado nem no que os cães estão pensando. Fazemos coisas terríves, fazemos guerras, matamos pessoas por ganância. Então, quem somos nós pra dizer como amar? Eu não a forçaria. Estaríamos apaixonados. O que é que vocês sabem ? Vocês não sabem de nada. Fale comigo quando tiverem curado a aids, liguem pra mim então e aí eu vou ouvir. "
mais uma da morte
" (...) Ele gostava dos círculos compactos e do desconhecido.
Da agridoçura da incerteza.
De ganhar ou perder.
Era uma sensação na barriga, que se agitava até ele achar que não podia mais tolerá-la. O único remédio era dar um passo à frente e soltar murros. Max não era o tipo de menino dado a morrer pensando no assunto."

A menina que roubava livros
Da agridoçura da incerteza.
De ganhar ou perder.
Era uma sensação na barriga, que se agitava até ele achar que não podia mais tolerá-la. O único remédio era dar um passo à frente e soltar murros. Max não era o tipo de menino dado a morrer pensando no assunto."

A menina que roubava livros
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Aos corações desavisados
O tempo era leve.
Nova York fica linda no outono.
No Central Park o sol brilhava de um jeito diferente.
E nesse dia todos os pássaros resolveram me cortejar.
O cenário era belo. E o quadro estava ainda sendo pintado.

Se eu fosse dona de jornal, nesse dia, eu escreveria:
“Dia perfeito pra se apaixonar.”
Alguns cigarros e meio capuccino e ele apareceu.
Já tinha lhe visto antes. Na biblioteca.
Conversamos um pouco sobre o tempo. Rimos do outros. Sorrimos e fomos cúmplices.
Ele tinha aquele ar de ‘sou o cara certo no momento errado’.
Eu passava meus dias no ócio enquanto ele parecia ser demasiadamente atarefado.
Estava sempre com o andar depressa. Os gestos rápidos. As palavras ligeiras. Certeiras.
A única coisa devagar nele era o olhar.
Olhar que me dizia tão pouco. Mas que me dava a certeza de que eu tinha muito a descobrir.
Eu gostava daquele cara.
E sei que ele gostava de mim também. Acho que era a única coisa que consegui descobrir com aquele olhar. E todo seu jeito arisco. Escorregadio. Delicioso.
Ele falou-me que parecia que eu tinha saído de um filme de Woody Allen e pousado diretamente na vida dele. Ele me disse que eu estava linda.
Perguntou-me meu telefone. Perguntou o que eu ia fazer mais tarde. Perguntou-me se eu acreditava no amor.
Que tarde de linda de outono. Obrigada, Nova York.
Respondi-lhe que sim. E quis saber dele.
Fred me surpreendeu ao responder: “O amor não é pra mim, o amor é pra quem acredita nele.”.
E me olhava como se fosse natural.
O amor estava ali, Santo Deus. Sentado ao nosso lado. Mas será possível que ele não via?
Fred não via.
Ele só olhava para meus seios.
Para meus olhos.
Era incapaz de ver através de mim. Através de nós.
Em meio a toda a sua ligeireza esqueceu-se de acreditar.
E eu em meio a nós dois. Esqueci de ser cautelosa.
Olhando para aquele jornal de novo vi o que antes não percebera.
“Dia perfeito pra se apaixonar. CUIDADO!”.
Nova York fica linda no outono.
No Central Park o sol brilhava de um jeito diferente.
E nesse dia todos os pássaros resolveram me cortejar.
O cenário era belo. E o quadro estava ainda sendo pintado.

Se eu fosse dona de jornal, nesse dia, eu escreveria:
“Dia perfeito pra se apaixonar.”
Alguns cigarros e meio capuccino e ele apareceu.
Já tinha lhe visto antes. Na biblioteca.
Conversamos um pouco sobre o tempo. Rimos do outros. Sorrimos e fomos cúmplices.
Ele tinha aquele ar de ‘sou o cara certo no momento errado’.
Eu passava meus dias no ócio enquanto ele parecia ser demasiadamente atarefado.
Estava sempre com o andar depressa. Os gestos rápidos. As palavras ligeiras. Certeiras.
A única coisa devagar nele era o olhar.
Olhar que me dizia tão pouco. Mas que me dava a certeza de que eu tinha muito a descobrir.
Eu gostava daquele cara.
E sei que ele gostava de mim também. Acho que era a única coisa que consegui descobrir com aquele olhar. E todo seu jeito arisco. Escorregadio. Delicioso.
Ele falou-me que parecia que eu tinha saído de um filme de Woody Allen e pousado diretamente na vida dele. Ele me disse que eu estava linda.
Perguntou-me meu telefone. Perguntou o que eu ia fazer mais tarde. Perguntou-me se eu acreditava no amor.
Que tarde de linda de outono. Obrigada, Nova York.
Respondi-lhe que sim. E quis saber dele.
Fred me surpreendeu ao responder: “O amor não é pra mim, o amor é pra quem acredita nele.”.
E me olhava como se fosse natural.
O amor estava ali, Santo Deus. Sentado ao nosso lado. Mas será possível que ele não via?
Fred não via.
Ele só olhava para meus seios.
Para meus olhos.
Era incapaz de ver através de mim. Através de nós.
Em meio a toda a sua ligeireza esqueceu-se de acreditar.
E eu em meio a nós dois. Esqueci de ser cautelosa.
Olhando para aquele jornal de novo vi o que antes não percebera.
“Dia perfeito pra se apaixonar. CUIDADO!”.
Achado.
Sou suja. Tenho, por conveniência, vinte anos, mas os olhos são feitos de mais. Mas sou bonita. Aos que pensam assim, já desminto: não é pelo sexo que eles me condenam.

Minha maldição é a honestidade. Dela, conheço mais que o cheiro, que a dor, que o arrepio. É dela que vem meu karma; é por causa dela que me cospem, que me vaiam, que cochicham ferozes quando passo. Se eu me fingisse, se mentisse, disfarçasse, não seria tão hostil. Sou infiel; mas não é por isso que me condenam. Sou infiel e não só assumo – faço questão de avisar. A honestidade é quem me amortece das pedradas. Conheci um homem certa vez. Não era bonito nem feio. Gostava de mim. Mimava meus dias com uma devoção quase cruel - dava-me perfumes, pagava-me jantares, abria a porta do carro quando me levava a lugares onde podíamos ficar à vontade. Pulsava no peito dele a paixão. No meu peito, quase sempre coberto por grandes mãos ou pêlos ou peles, pulsava a luxúria. Tantos mimos me fizeram acostumar. Numa noite, ele distante, outro homem se aproximou valente, desbravador, como se soubesse estar entrando em terreno alheio. Parecia gostar. O calafrio lânguido das coisas sujas e erradas que fazemos me agrada; sou barata. Me deixei tomar, pegar, sentir – me libertei das correntes do dia e me atei com força às da noite. Aprisionei-me por mim mesma num caminho de prazeres e prendas.A princípio, não contei ao primeiro. Deixei que continuasse a me mimar, me dizer o quanto sou bela, me acariciar os cabelos, com cara de quem sabe o que quer. Não me incomodo que seja assim. Não quero que seja diferente. Um dia enjoei, pedi que me esquecesse. Disse adeus. O homem ficou bravo, quebrou o vidro, rasgou a foto, bateu o carro. Não liguei. Assim, da mesma forma, se deu com outro, e outro, e mais outro, e uma sequência de vários, que administro como bem entendo e de acordo com o meu humor do dia. Sou egoísta. É o egoísmo que me julga, que me denuncia aos olhos dos outros, de todos os outros, das verdureiras, das mães, das meninas da feira, dos homens que compram jornal. Eles me condenam por ser assim e por gostar, por não reclamar da vida, dos homens, do pouco dinheiro, do tempo que mudou. Por me dar inteira aos prazeres e gritar bem alto quando aquilo chega intenso e dolorido, profanando a rua, a noite calma, o entardecer, o meio dia, na hora do almoço das crianças, da missa na igreja, do mendigo pedindo esmola. Me condenam por deixar claro e aberto que não há como ser diferente. Que não vou jamais ser só de um. Me condenam por ter me tornado arisca e arredia e escorregadia, e por saberem que isso tudo me favorece maravilhosamente. Me condenam por ser vadia e ainda assim bonita. Bem cuidada. Por seduzir todos sem pudor e ainda assim fazê-los sentir que são os únicos. Me condenam por mentir, por profanar, por magoar corações desavisados. Por ser vilã e mocinha, por saber como é a vida, por sentir tudo que dá. Não é pelo sexo que eles me condenam. É por ser exatamente aquilo que todo mundo quer ser, mas não diz.
Por amar, quem me condena sou eu.

Minha maldição é a honestidade. Dela, conheço mais que o cheiro, que a dor, que o arrepio. É dela que vem meu karma; é por causa dela que me cospem, que me vaiam, que cochicham ferozes quando passo. Se eu me fingisse, se mentisse, disfarçasse, não seria tão hostil. Sou infiel; mas não é por isso que me condenam. Sou infiel e não só assumo – faço questão de avisar. A honestidade é quem me amortece das pedradas. Conheci um homem certa vez. Não era bonito nem feio. Gostava de mim. Mimava meus dias com uma devoção quase cruel - dava-me perfumes, pagava-me jantares, abria a porta do carro quando me levava a lugares onde podíamos ficar à vontade. Pulsava no peito dele a paixão. No meu peito, quase sempre coberto por grandes mãos ou pêlos ou peles, pulsava a luxúria. Tantos mimos me fizeram acostumar. Numa noite, ele distante, outro homem se aproximou valente, desbravador, como se soubesse estar entrando em terreno alheio. Parecia gostar. O calafrio lânguido das coisas sujas e erradas que fazemos me agrada; sou barata. Me deixei tomar, pegar, sentir – me libertei das correntes do dia e me atei com força às da noite. Aprisionei-me por mim mesma num caminho de prazeres e prendas.A princípio, não contei ao primeiro. Deixei que continuasse a me mimar, me dizer o quanto sou bela, me acariciar os cabelos, com cara de quem sabe o que quer. Não me incomodo que seja assim. Não quero que seja diferente. Um dia enjoei, pedi que me esquecesse. Disse adeus. O homem ficou bravo, quebrou o vidro, rasgou a foto, bateu o carro. Não liguei. Assim, da mesma forma, se deu com outro, e outro, e mais outro, e uma sequência de vários, que administro como bem entendo e de acordo com o meu humor do dia. Sou egoísta. É o egoísmo que me julga, que me denuncia aos olhos dos outros, de todos os outros, das verdureiras, das mães, das meninas da feira, dos homens que compram jornal. Eles me condenam por ser assim e por gostar, por não reclamar da vida, dos homens, do pouco dinheiro, do tempo que mudou. Por me dar inteira aos prazeres e gritar bem alto quando aquilo chega intenso e dolorido, profanando a rua, a noite calma, o entardecer, o meio dia, na hora do almoço das crianças, da missa na igreja, do mendigo pedindo esmola. Me condenam por deixar claro e aberto que não há como ser diferente. Que não vou jamais ser só de um. Me condenam por ter me tornado arisca e arredia e escorregadia, e por saberem que isso tudo me favorece maravilhosamente. Me condenam por ser vadia e ainda assim bonita. Bem cuidada. Por seduzir todos sem pudor e ainda assim fazê-los sentir que são os únicos. Me condenam por mentir, por profanar, por magoar corações desavisados. Por ser vilã e mocinha, por saber como é a vida, por sentir tudo que dá. Não é pelo sexo que eles me condenam. É por ser exatamente aquilo que todo mundo quer ser, mas não diz.
Por amar, quem me condena sou eu.
Folhetim .
"Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim
E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim
E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis
Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim."
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim
E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim
E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis
Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim."
Acompanhante.
Como prefere que eu lhe chame?
Posso te chamar te Dear John se for de seu agrado.
Colocarei um decote injusto e deixarei meus cabelos soltos.
Contarei até 1000 se você demorar. E contarei mais uma vez.
Mas venha.
Me pague um drink e todos seus desejos serão atendidos.
Me ame e eu serei sua.
Serei sua.
Não vire as costas pra mim.
Por favor. Não me deixe sozinha.
Um salto trinta e um coração frágil.
Não me julgue mal.
Não esqueça que eu sou apenas uma garota, parada na frente de um rapaz pedindo a ele que a ame!

Sua.
Posso te chamar te Dear John se for de seu agrado.
Colocarei um decote injusto e deixarei meus cabelos soltos.
Contarei até 1000 se você demorar. E contarei mais uma vez.
Mas venha.
Me pague um drink e todos seus desejos serão atendidos.
Me ame e eu serei sua.
Serei sua.
Não vire as costas pra mim.
Por favor. Não me deixe sozinha.
Um salto trinta e um coração frágil.
Não me julgue mal.
Não esqueça que eu sou apenas uma garota, parada na frente de um rapaz pedindo a ele que a ame!

Sua.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
?
Qual a diferença entre o corvo e a escrivaninha?
“ - Sim, você é louco, louquinho. Mas vou lhe contar um segredo: as melhores pessoas são assim!”
Alice no País das Maravilhas

Alice diz isso ao chapeleiro que alega estar maluco.
Ela concorda e lhe diz que essa é a graça de tudo. De todos.
A LOUCURA.
Se não fosse isso de que seria feita vida? De olhares sérios e risadas nas horas certas.
Tudo previsível.
Tudo chato, sem graça.
A vida é feita para os gritos. Para os extremos. Para os loucos.
E caso você, que ao ler isso, balance a cabeça em negação, muito sério, muito certo, muito compenetrado, não lhe direi para deixar de ser assim. Não lhe falarei as maravilhas de ver o mundo por um ângulo mais engraçado, mais divertido e muito, muito mais inusitado. Pra você fica os meus pêsames e o meu muito boa sorte. Juro. Não lhe desejo o mal. Desejo-lhe a loucura.
Em excesso. Caso se negue mais uma vez... Bem... você não sabe o que ta perdendo...

Aaaah... E a diferença, entre o corvo e a escrivaninha? Eu. Eu não faço a menor idéia.
Às vezes Lolita, às vezes Alice, às vezes uma Santa, às vezes não, sempre, Capitu.
Alice no País das Maravilhas

Alice diz isso ao chapeleiro que alega estar maluco.
Ela concorda e lhe diz que essa é a graça de tudo. De todos.
A LOUCURA.
Se não fosse isso de que seria feita vida? De olhares sérios e risadas nas horas certas.
Tudo previsível.
Tudo chato, sem graça.
A vida é feita para os gritos. Para os extremos. Para os loucos.
E caso você, que ao ler isso, balance a cabeça em negação, muito sério, muito certo, muito compenetrado, não lhe direi para deixar de ser assim. Não lhe falarei as maravilhas de ver o mundo por um ângulo mais engraçado, mais divertido e muito, muito mais inusitado. Pra você fica os meus pêsames e o meu muito boa sorte. Juro. Não lhe desejo o mal. Desejo-lhe a loucura.
Em excesso. Caso se negue mais uma vez... Bem... você não sabe o que ta perdendo...

Aaaah... E a diferença, entre o corvo e a escrivaninha? Eu. Eu não faço a menor idéia.
Às vezes Lolita, às vezes Alice, às vezes uma Santa, às vezes não, sempre, Capitu.
Divã
Tenho medo de mim, às vezes.

É como se fosse uma claustrofobia. Como se eu fosse uma espécie de elevador. Um elevador enorme. Com fundos falsos, alçapões, paredes como as dos filmes de James Bond. Que com um toque se abrem e revelam uma biblioteca ou uma sala cheia de armas. Eu me conheço e ao mesmo tempo sei que posso me surpreender a qualquer momento.
Sempre desprezei as coisas mornas.
As coisas que não provocam ódio nem paixão.
As coisas definidas como mais ou menos. Tudo perda de tempo.
Viver tem que ser perturbador.
É preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados.
E com eles sua raiva. Seu orgulho. Seu asco. Sua adoração. Ou seu desprezo.
O que não te faz mexer um músculo. O que não faz você estremecer. Suar. Desatinar. Não merece fazer parte da sua biografia.

Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior.
Tenho medo do que me impede de falhar.
(Texto inspirado no livro "Divã" de Martha Medeiros.)

É como se fosse uma claustrofobia. Como se eu fosse uma espécie de elevador. Um elevador enorme. Com fundos falsos, alçapões, paredes como as dos filmes de James Bond. Que com um toque se abrem e revelam uma biblioteca ou uma sala cheia de armas. Eu me conheço e ao mesmo tempo sei que posso me surpreender a qualquer momento.
Sempre desprezei as coisas mornas.
As coisas que não provocam ódio nem paixão.
As coisas definidas como mais ou menos. Tudo perda de tempo.
Viver tem que ser perturbador.
É preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados.
E com eles sua raiva. Seu orgulho. Seu asco. Sua adoração. Ou seu desprezo.
O que não te faz mexer um músculo. O que não faz você estremecer. Suar. Desatinar. Não merece fazer parte da sua biografia.

Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior.
Tenho medo do que me impede de falhar.
(Texto inspirado no livro "Divã" de Martha Medeiros.)
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