
Deitada em um quarto escuro.
Abandonada.
Abandonada em prantos, em lágrimas e em devaneios.
Devaneios esses que quase apelam pra loucura, pra fantasia e para os gritos.
Murros e perguntas.
Perdida no tempo.
Tentando achar motivos para sair daquele esconderijo seguro.
Longe de tudo.
Ouvindo o seu silêncio gritante.
Olhando para as fotos como se fossem imagens de uma outra vida.
De um outro alguém que habitou nela antes dele ir embora...
Coração de pedra.
Coração de pedra em cacos.
Coração em cacos. Um coração chorando e sangrando.
Chorando porque estava doendo.
Um coração despedaçado sangra. E machuca.
Os nervos de aço. Porque eles deveriam ser assim agora.
Ela. Uma verdadeira expert no amor.
Agora. Abandonada. Perdida. E em cacos.
Em cacos fugindo daquele terror da vida real. Do mundo lá fora.
Aos berros. Calada. Sem fazer barulho.
De uma angústia brutal. O orgulho largado ás traças quando o único sentimento vivo nela era a vergonha.
A vergonha. O medo. E a loucura.
A saudade aflorava quando ela olhava pra cama e via os presentes que ganhara dele.
Mas a saudade passava quando a dor tomava conta. E seguia-se de lágrimas. Soluços. Berros. Murros. Perguntas. E então ela desviava o olhar da cama. E ia embora a saudade. Mais uma vez ela sentia seu coração.
Triste. Gelado. De pedra. E em cacos.
“Queria que me Amasses. Que me Amasses apaixonadamente. Que te sentisses perdida sem mim. Que te faltasse o ar longe de mim. Queria fazer-te voar quando ao teu lado. Queria fazer com que sonhasses acordada. Queria provocar tempestades e trovões. Já não me chega gostares de mim e da minha companhia. Isso era noutros tempos…”
Trecho retirado do blog “Cartas para Julieta”
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