Sentada em uma das mesas do meu bar ouvindo o cantor que eu tinha acabado de contratar. Um cara charmoso que tentava flertar comigo. Não teve muito sucesso com isso.
Eu com todos os meus 30 anos, cigarros e amores guardados não estava muito interessada em um garoto com pinta de roqueiro.
Gostava da musica dele e isso me bastava pra ficar ali, indiferente a qualquer outra coisa...
Com o coração frio e o gosto de tabaco nos lábios.
E foi ai que ele apareceu.
E de todos os bares de Paris, em todas as cidades de todo o mundo, ele vai e entra logo no meu.
Quando olhei pra aquele um metro e oitenta de músculos e devaneios tive certeza que precisava melhorar a clientela do meu estabelecimento.
Ele não tinha nada a ver com toda a poesia presente ali.
Ou tinha.
E eu que não tinha percebido ainda...
Eu sempre idealizei muito.
Idealizava um homem que me levaria pra assistir cinema alternativo e museu com obras abstratas, eu ia fingir que entendi tudo e depois nos nos amariamos no seu apartamento elegante com vista pra torre Eiffel.

E no dia seguinte ele me acordaria com beijos e café da manha e ficaríamos ali, se amando, de novo, o tempo que tivéssemos que ficar...
Ele definitivamente não era esse cara.
O sujeito tinha um ombro meio caído que dava um certo charme àquele andar lento que ia o fazendo chegar mais perto de mim.
Ele sentou-se na mesa que eu estava.

Ignorei-o e senti um pouco de vergonha por atrair alguém como ele.
Com uma barba mal feita, um nariz engraçado e um sorriso que era injusto comigo e com todas as minhas malditas idealizações... Que sorriso era aquele, Deus!
Bem, não vou contar todos os detalhes de como chegamos aqui e de como nos apaixonamos (pois é, nos apaixonamos) assim, se desprezando e amando depois. Aos cacos. Mas de cristal.
Nós não somos um típico casal. Daqueles que andam sempre de mãos dadas e arranjam apelidos carinhosos. Não somos um casal que se parece, que se entende.
Muito pelo contrario. Somos opostos em tudo, superfantasticamente.
Mas eu duvide que alguém duvide desse nosso amor.
Quer dizer, nós dois duvidamos, mas a gente é louco mesmo.

O que eu sinto por ele vai alem do amor.
Vai alem de todas as coisas que eu conheço e entendo.
Habita em mim um ódio por ele que peço pros céus pra que nunca vá embora.
Porque não pode existir ódio mais cheio de borboletas, notas musicais e passarinhos azuis.
Eu sei, ele não é meu príncipe encantado.
Mas o príncipe encantado teria a maior paciência do mundo em me curar dessa loucura.
E ele tem a maior paciência do mundo em aumentá-la.
E cá entre nós, se esse tal príncipe existisse, eu certamente o trairia. Com ele.
Com o cara de barba mal feita, nariz engraçado e com aquele sorriso....
E vamos combinar.É cansativo viver sem vírgulas.
Porque eu respiro a existência dele 24 horas por dia, e só coloco vírgulas teatrais para ele não enjoar de mim...
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E a gente vai por aí, se completando assim meio torto mesmo...
Ficando tudo bem, mesmo quando arruinamos tudo.
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