terça-feira, 31 de agosto de 2010

Para Sarah

Dear Sarah,

Você ta sempre me surpreendendo.
Me surpreendeu quando eu vi que você era uma ótima jogadora de hugby.
Quando me disse que eu valia a pena.
Me surpreendia a cada vez que me chamava de Amor e quando falava o meu nome e quando me dava bom dia e dizia que me amava e quando me chamava de seu.
E me surpreendeu quando me abandonou.
Na primeira vez. E na segunda.
E me surpreendeu quando pediu pra voltar, e quando me traiu.
Você sempre me surpreendia por ser a pessoa mais difícil de ser surpreendida mesmo sempre se encantando com tudo ao seu redor.
Desde a uma simples borboleta dançando entres as flores, ate fogos de artifício explodindo no céu.
Você ta fazendo isso agora. Me surpreendendo de novo me enviando essa carta.
E diferente de você eu não consigo colocar exatamente o que eu to sentindo em um papel e lhe enviar. E nem gostaria. Por que eu sei que você sabe como eu to. Em cacos. E é bom falar com você por cartas porque assim eu pareço mais forte, sabe?
Parece até que não dói.

Agora respondendo.
Sarah, o que eu você fez comigo. Diversas vezes eu não mereci, assim como ninguém merece.
O que você falou pra mim, não se fala quando não tem certeza.
Eu fui embora não por raiva. Não por rancor, por mágoa.
Não fui embora porque não te queria mais ou porque cansei de sofrer. Deveria.
Mas não fui.
Fui embora porque apesar de ter lhe perdoado a partir do instante que contra mim você pecou, eu não conseguiria ficar com você sabendo que não estava sequer arrependida.
Cada vez que você me magoava eu tinha medo de que você fosse embora de vez.
E dessa vez eu que tinha que ir, pra não me machucar mais...
Sei que a agora que sabe dessas coisas, não vai arquitetar planos e elaborar castigos fazendo assim com que eu fique sempre em suas mãos.
Eu sei que você não é assim.
Que não planeja nada. Que não pensa nas conseqüências dos seus atos e que o meu sofrer pra você é apenas uma vírgula que vai deixando mais bonita a sua historia.
A história que você criou e me colocou como seu personagem principal.
Eu ainda estou aqui.
Estou chegando.
Me espera...

Te amo.

Sempre seu, Fred.



P.s.: Estou e sempre estive em suas mãos, nem se quisesse não é necessário planejar nada. Eu já fiz isso por nós dois.

Para Fred

Fred.

Eu tô com um pouco de medo.
E um pouco de frio.
Apesar de ser quase verão eu ainda tenho os vestígios do inverno na minha pele. E a primavera não floriu.
Estou sentada no lugar onde durante 28 dias nós nos sentamos.
Rimos. Beijamos-nos. E por diversas vezes nos despedimos do sol.
Estou sentada tentando entender.
Onde eu estava com a cabeça quando te deixei ir embora?
Onde eu estava com a cabeça quando dei motivos pra isso?
Você nunca mereceu o que lhe fiz... A traição.
Não sei onde você esta agora. E também não quero saber. Não quero sofrer mais do que já estou sofrendo. Por não te ter aqui.
Não quero saber se você me superou, se me esqueceu, se melhorou de mim.
Envio-lhe esta carta por meio de outros justamente por que não sei do seu paradeiro. E nem quero. Apenas quero você outra vez. Pra mim. De novo.
Será que tem como? Você me perdoa?
Pelas coisas feias que eu fiz e que talvez um dia faça de novo. Perdoa?
É que eu te amo sabe? É que eu tenho dessas coisas mesmo... Essas coisas de magoar os outros sem querer... Sem pensar.
Mas eu te amo. E você não faz idéia do buraco dentro de mim que fez quando partiu... Me perdoa?
Por favor, não me ofenda mais do que você já ofendeu. Não me chame mais daqueles nomes sujos que você chamou. Que ainda chama...
Só me perdoa que eu faço você lembrar do quanto você era feliz comigo. Mesmo eu não sendo a pessoa certa pra você.
Amor, eu não sou a pessoa certa pra ninguém.
Só não desiste de mim.
Eu sei que os meus argumentos não convencem.
Sei que você ta bravo comigo.
Sei que falam muitas coisas a meu respeito pra você.
Eu sei que não mereço.
Sei que talvez eu nem te ame.
Mas por favor, vai, me perdoa...



Te esperando, Sarah.

Mais uma madrugada



São duas horas da manha e eu to me olhando no espelho.
Meu cabelo ta preso, e meu pijama ta curto, tenho duas provas impossíveis amanha e não sei nada, tem uma espinha aparecendo, to menstruada, to com cólica, eu não to me achando bonita, tem aquela festa incrível no fim de semana e eu ainda não encontrei uma roupa pra ir. Aaah, e já é segunda-feira.
O celular toca. É ele.
Ou alguma parte dele que gosta de mim. Em uma mensagem.
Me dando boa noite e dizendo que me ama.
Eu respondo que também e volto a me olhar.
Respiro fundo e falo pra mim mesma que eu nunca vou encontrar alguém melhor que ele.
Que o buraco que ele vai deixar no meu peito nunca vai ser completamente preenchido.
Ele me quer tanto que enjoa.
Que não amo.
A infidelidade me possui.
Me fascina.
Depois que ele passou a me amar, ela, a infidelidade, passou a ser a única graça da minha vida.
Olho no espelho, respiro fundo e conto até 10. Porque uma vez falaram pra mim que ajudava... 9...10.
Ainda não ta tudo bem.
Uma lembrança me invade a alma. É. Talvez ela possa ser útil agora.
O dia em que brigamos e ele apareceu aqui em casa com uma rosa na mão, cantando a nossa musica com aquela voz rouca cansada, olhei pra ele e estava la, com uma bermuda velha e sem camisa com um chinelo e com o cabelo bagunçado de como quem diz: “olha como eu fico sem nós dois, desculpa”.
Agora seria a minha vez de falar como eu fico.
Mas se ele pudesse agora, olhar nesse espelho que eu encaro eu não precisaria falar nada. Olha como eu fico COM nós dois.
Milhares de lembranças e elas parecem zombar de mim agora “olha como você era feliz, sua boba..” e dão gargalhadas.
Enquanto eu choro.
Eu nunca enganei todo mundo tão bem.
Fingindo que as coisas dessa vez estavam dando certo.
Eu nunca interpretei tanto um papel de eu mesma.
Sem mascaras, mas ainda sim um personagem.
Mal feito. Mas super bem ensaiado.
Aqueles que da gosto de ver.
Que os outros olham e comentam “impressionante, é igualzinho a um ser humano”...
É só um personagem...
São duas horas da manha e eu to me olhando no espelho.
Meu cabelo ta preso, e meu pijama ta curto, meu mundo ta desmoronando, ta escuro, eu to com medo.
Mas pensando bem, poderia ser pior...
Eu poderia estar amando.

domingo, 29 de agosto de 2010

E ai, posso ficar?

Caso você queira posso passar seu terno, aquele que você não usa por estar amarrotado.
Costuro as suas meias para o longo inverno...Use capa de chuva, não quero ter você molhado.
Se de noite fizer aquele tão esperado frio poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro. E verás como a minha pele de algodão macio,
agora quente, será fresca quando for janeiro.
Nos meses de outono eu varro sua varanda, para deitarmos debaixo de todos os planetas.
O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda.Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas
Depois plantarei para ti margaridas da primavera, e aí no meu corpo somente você e leves vestidos, para serem tirados pelo seu total desejo de quimera.
Os meus desejos, irei ver nos seus olhos refletidos.
Mas quando for a hora de me calar e ir embora sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola, mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.

(Nem vou deixar – mesmo querendo – nenhuma fotografia.
Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda minha poesia.)

Agora sofrer, ate que parece uma boa ideia.




Uma hora dessas e eu aqui sofrendo.
Não por causa dele, como todas as outras vezes na madrugada. Quando mesmo depois de tanto tempo me pegava pensando nele.
Não por problemas na família. Problemas na escola. Dor de barriga, cólica.
Não por isso.
Não que tenham sumido. Esses problemas. Estão ai aos montes...
Mas parece que já não tem mais tanta importância. Quando a única coisa que sempre me vem à cabeça é você.
O tempo inteiro.
Estou aqui sofrendo não por ti. Mas por mim e soltando um dos maiores clichês da historia.
O problema não é você. Sou eu.
Sou eu que preciso melhorar.
Amadurecer.
Sou eu que to precisando de você. Mas não quero.
Você com toda sua doçura, seu cavalheirismo e com seu jeito engraçado que nunca me faz rir.
Você com todas as suas viagens, suas milhões de historias lugares e passeios interessantes. Que nunca presto atenção.
Não consigo mais fingir que te amo e desconheço seu charme.
Outro dia me perguntaram como você era, meu novo namorado... Apenas respondi: Ah, ele é uma boa pessoa.
Você é uma boa pessoa, lógico.
E mais o que?
Sexy, charmoso, divertido, engraçado, te faz flutuar? Mexe com você? Deixa você nervosa? Causa-te arrepios?
Não, não... Ele é uma boa pessoa, gente!
Tenho certeza que você vai ser ótimo com qualquer uma.
Vai sempre estar presente, vai ser fiel, vai fazer de tudo pra agradar e como sempre abrir a porta do carro, pagar a conta, puxar a cadeira, levar uma margarida às vezes só pra quebrar a rotina das rosas.
Vai ser o que todas querem e o tipo do cara que eu vou jurar estar procurando daqui a algum tempo. Em um próximo inverno...
Mesmo sabendo que vou me arrepender e ainda chorar muito. Chorar por saber que por escolha minha não vou estar ao seu lado. Mesmo sabendo disso eu não te quero. Rejeito suas juras etenas e seu amor centrado.
Mas é que pra mim, uma boa pessoa não basta, sabe?
Desculpe-me.
Você é o antídoto perfeito.
A cura pra todos os males.
Depois que te conheci. Te curti e de ti me aproveitei, descobri.
Preciso de um veneno. Mais forte.
Descobri que talvez, o que eu realmente precise é sofrer um pouco mais. E daí, quem sabe... Me esbarrar com você outra vez...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Esperando quem eu não queria encontrar nunca

Eu estava la.
Sentada em uma das mesas do meu bar ouvindo o cantor que eu tinha acabado de contratar. Um cara charmoso que tentava flertar comigo. Não teve muito sucesso com isso.
Eu com todos os meus 30 anos, cigarros e amores guardados não estava muito interessada em um garoto com pinta de roqueiro.
Gostava da musica dele e isso me bastava pra ficar ali, indiferente a qualquer outra coisa...
Com o coração frio e o gosto de tabaco nos lábios.
E foi ai que ele apareceu.
E de todos os bares de Paris, em todas as cidades de todo o mundo, ele vai e entra logo no meu.
Quando olhei pra aquele um metro e oitenta de músculos e devaneios tive certeza que precisava melhorar a clientela do meu estabelecimento.
Ele não tinha nada a ver com toda a poesia presente ali.
Ou tinha.
E eu que não tinha percebido ainda...
Eu sempre idealizei muito.
Idealizava um homem que me levaria pra assistir cinema alternativo e museu com obras abstratas, eu ia fingir que entendi tudo e depois nos nos amariamos no seu apartamento elegante com vista pra torre Eiffel.



E no dia seguinte ele me acordaria com beijos e café da manha e ficaríamos ali, se amando, de novo, o tempo que tivéssemos que ficar...

Ele definitivamente não era esse cara.
O sujeito tinha um ombro meio caído que dava um certo charme àquele andar lento que ia o fazendo chegar mais perto de mim.
Ele sentou-se na mesa que eu estava.



Ignorei-o e senti um pouco de vergonha por atrair alguém como ele.
Com uma barba mal feita, um nariz engraçado e um sorriso que era injusto comigo e com todas as minhas malditas idealizações... Que sorriso era aquele, Deus!
Bem, não vou contar todos os detalhes de como chegamos aqui e de como nos apaixonamos (pois é, nos apaixonamos) assim, se desprezando e amando depois. Aos cacos. Mas de cristal.
Nós não somos um típico casal. Daqueles que andam sempre de mãos dadas e arranjam apelidos carinhosos. Não somos um casal que se parece, que se entende.
Muito pelo contrario. Somos opostos em tudo, superfantasticamente.
Mas eu duvide que alguém duvide desse nosso amor.
Quer dizer, nós dois duvidamos, mas a gente é louco mesmo.



O que eu sinto por ele vai alem do amor.
Vai alem de todas as coisas que eu conheço e entendo.
Habita em mim um ódio por ele que peço pros céus pra que nunca vá embora.
Porque não pode existir ódio mais cheio de borboletas, notas musicais e passarinhos azuis.
Eu sei, ele não é meu príncipe encantado.
Mas o príncipe encantado teria a maior paciência do mundo em me curar dessa loucura.
E ele tem a maior paciência do mundo em aumentá-la.
E cá entre nós, se esse tal príncipe existisse, eu certamente o trairia. Com ele.
Com o cara de barba mal feita, nariz engraçado e com aquele sorriso....
E vamos combinar.É cansativo viver sem vírgulas.
Porque eu respiro a existência dele 24 horas por dia, e só coloco vírgulas teatrais para ele não enjoar de mim...



E a gente vai por aí, se completando assim meio torto mesmo...
Ficando tudo bem, mesmo quando arruinamos tudo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

!!!!!!!

"Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante.Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que recusam a levantar da cadeira e ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que teha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada ? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra."

Martha Medeiros

Conversa de botas batidas

Veja você, onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar
Veja você, onde é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim



Sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar
Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar
Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer, que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair



Los Hermanos .

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

um negocio quando a gente ama

Ei.
Eu ainda estou aqui, lembra?
Eu sempre estive...
Quando você falou que ia e voltava logo. E não voltou.
Que bom que você ta aqui agora.
Eu senti tanto medo.
E pare de repreender meu medo.
Eu tenho medo quando minha fragilidade fica estampada em mim e eu fico toda vulnerável pro mundo.
Eu tenho medo quando você não ta aqui.
Eu tenho medo da chuva, quando ela cai dos meus olhos.
Medo do sol, quando ele queima aqui dentro.
Medo do escuro, quando é sem você.
Gosto do claro, quando é claro que você me ama.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Licença pra falar dele

Agora. Vamos falar um pouco de amor...
E sem tentar disfarçar nada.
Sem tentar diminuir ou empobrecer tal sentimento, tão nobre.
Vamos falar de amor sem medo, sem frescura e sem vergonha.
Vamos falar por falar. Pra escancarar a alma sem deixar mensagens subliminares e sem complicar nada.
O amor não é complicado.
Vamos falar o que sentimos e não vomitar, mas borrifar todo esse sentimento gostoso dentro da gente e que insistimos tanto em esconder. Amar dói. Mas dói diferente.
Esse sofrer não passa despercebido.
Mas amar é tão bom que sobrepõe todas as coisas tristes e caladas e sem graça.
Eu amo você, não pela sua casa, ou pela sua roupa, ou pelo seu dinheiro, ou pelo seu clássico medo de altura ou por saber exatamente quem você é mesmo não te conhecendo direito te conhecendo há anos.
Amo você por amar quem eu sou do seu lado. E por amar você sendo você e tirando tudo que tem.
Amo você por, há tempos, te observar e as vezes te ver magoado. Com saudade da vida. Saudade de mim. Ainda sem esbarrar comigo. Nessas da vida de tentar dar um empurrãozinho na gente...
Sempre te amei. Eu tinha visto na sua solidão, uma excelente amiga pra minha. Achei que elas pudessem sofrer juntas enquanto a gente se divertia. Se amando...

um tímido desabafo

Às vezes sinto um pouco como se as coisas e as pessoas e os retratos e as loucuras e toda poesia ingrata tivesse apenas querendo desmoronar
Cansada de ficar escondida e tenta mostrar o que é.
Imorais. Ate quando não são. Elas se mostram...
E procuram a quem flagrar.
E descobrem e se escondem e aparecem e às vezes sinto como se tivessem apenas querendo desmoronar.
Caindo.
Com seus livros e sua musica e sua frescura. E todo seu medo de tudo que não se conhece e se quer descobrir ainda que não valha à pena.

eu só queria ficar.

Queria te contar que descobri porque te tratei mal da última vez. É que o raio da blusa cinza furada te deixa tão bonito e eu tenho mania de chorar quando acho alguma coisa muito bonita. E pra não chorar eu trato mal. A vida me emociona o tempo todo mas se eu ficasse chorando, quem ia pagar minhas contas e quem ia me querer cheia de olheiras? Então eu corro. Me dá de novo a vontade de ir embora. Eu to sempre indo embora mas aí vai um super clichê...: é de tanto que eu só queria ficar. E queria que você não achasse que sou sempre louca, ainda que eu seja.

...

"Eu não sabia e era justamente essa a sensação. A de não ter a menor ideia."

Tati Bernardi.

domingo, 15 de agosto de 2010

Na esquina de um pensamento meu



Vamos parar pra reparar nelas.
O modo que dançam e o modo que passam e o modo que não sei como fazem, me deixam assim.
Nas curvas.
O modo que rodopiam e que se equilibram e que se contorcem e que sem que eu perceba falo delas com você.
Você me disse pra não tocar mais nesse assunto.
Você já me disse muitas coisas...
Você nunca me acrescentou nada. E veja... O modo que elas sorriem e piscam pra mim e respiram mais perto e sem que eu as perceba sobre a minha pele gelada, já se esvaíram das minhas mãos escorregadias e teimosas que mesmo eu já não mais querendo, uma delas ainda insiste em segurar a sua.
Sua mão manchada de um amor que não é meu.
Um amor forasteiro e desbravador.
Amor esse que já me doeu.
Mas ai olho pra elas e veja o modo com que desfilam e com que repetem e como pedem e teimam, se metem e mentem e eu acredito.
Acredito e quando as vejo indo embora acredito que elas vão ficar.
Elas vão. Vão embora...
E vejo que aquele amor não me dói mais.
Dói ver que elas foram embora.Indo embora e veja... veja como me olham...
Dançando, passando, sorrindo, piscando pra mim, fugindo de mim, rodopiando, se equilibrando e se contorcendo, me doendo, me sentindo me cheirando.
E me deixando assim...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nosso acorde secreto

Ultimamente me disseram sobre um acorde secreto.
E esse acorde, Amor, agradava a todos.
Mas você não liga muito pra musica, não é?

E qualquer musica que saísse da minha boca poderia te agradar.
Porque juntos, Amor... Agradávamos a todos.
Você não lembra?
A todos...

Você crê no amor. Eu não quero ser injusta.
Você sempre precisou de provas. E eu sempre soube.
Mas, Amor, eu lhe dei todas...

E quando eu me afastava eu te via sozinho.
Sem mim. E você ficava sozinho.
E eu não entendia. Porque você sempre pareceu gostar de ficar dessa maneira.
E foi por isso que eu fui embora, Amor.
Olhe pra mim. Eu estou aqui sem entender nada e de alguma forma que eu também não entendo quando você triste me pede pra voltar, eu volto...
E dos meus lábios você tirou um agradecimento...
Obrigada por me fazer voltar.
E Amor, por favor, não faz mais isso...

E depois disso, você me disse que estaria comigo para sempre.
Mas, Amor, onde esta você agora?
E não diga dessa vez que minha beleza e que o luar e que todas as coisas divinas arruinaram você.
Amor, onde esta você agora?



Talvez, se eu não tivesse ido embora antes. Você não teria ido embora agora.
Mas quando eu fui embora antes foi porque você havia me deixado sozinha, indo embora antes e me deixando sem nada.
AMOR, onde esta você agora?
Você não vê? Amor, eu só tenho você.
E onde, Amor, onde esta você agora?

Que barulho é esse?
Amor é você?
Amor...
Amor! Não chore.
Você voltou não voltou?
É um frio e sofrido agradecimento.É um agradecimento quebrado. Partido em mil pedaços, agradecendo por você voltar. Você voltou...
Que lugar é esse?
Eu já vi esse quarto antes.
Eu andei nesse chão.
E amor, essa cama tem o cheiro da sua pele. Do seu pêlo.
Era aqui que costumávamos ficar. E antes de mim, Amor, você ficava aqui sozinho.



As suas lagrimas me doem mais do que se fossem lagrimas minhas feitas por você.
Você sabe bem o quanto elas doem.
Mas essas suas... Como me fazem mal...
Não chore, Amor. Esta tudo bem e eu, eu estou aqui agora.

O amor não é apenas um brinquedinho.
Não! E você tem que parar de acreditar nisso.
Lembre-se o quanto eu te comovi.
E é por isso que por mais que demore, você sempre volta.
E é porque eu estou aqui agora implorando para que deite nesse mármore frio e sinta a minha respiração bem perto do seu pescoço. Amor, não finja que não gosta...
E cada suspiro que nos dávamos, era um agradecimento.
Amor, não precisa fingir mais. Esta tudo bem e eu, eu estou aqui agora.
A respeito do amor... Esqueça!
Só não pense que ele é um brinquedinho. Ou um jogo. Ou um teatrinho. Ou que ele não importa.
Em toda minha vida aprendi muitas coisas.
Ou não aprendi nada.
Ou aprendi errado.
Mas sobre o amor. Posso dizer. Ele vale alguma coisa.
Não o menospreze e olhe pra mim.
Olhe bem. Você acredita agora?
Tudo que eu aprendi sobre o amor é ferir alguém que feriu você.
E eu, machucaria qualquer um.
Mas não há necessidade porque você, meu amor, esta aqui agora.
E não há necessidade de mais nada.
Só nós dois.

Quando você foi embora as paredes e as manchas de vinho nas nossas roupas e a persiana rasgada que você tanto gostava e os cacos de vidro pelo chão que você deixou e os quadros que eu pintei e os panos que eu usava e toda a magia do nosso meio podia ouvir o meu choro.
Agora eu choro diferente. Porque você esta aqui agora.
E não é um choro que você possa ouvir a noite.
Não é como o de antigamente.
É uma composição de notas. As mais belas.
Mas você não liga muito pra musica, não é?
É uma bela melodia. Um acorde secreto que eu gostaria que você ouvisse.
E que, Amor, agrada a todos.
É uma bela melodia.
É um frio e gelado, agradecimento
É sim, uma bela melodia...
Mas, Amor, você não liga muito pra musica não é?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Estamos sempre tentando...



A festa estava animada.
As pessoas dançavam. Cantavam. Se beijavam, caídas pelo chão ao lado de algumas garrafas de whisky.
E de algum jeito. Elas tentavam se encontrar.
Muitas coisas aconteciam. E eu não dava conta de nada...
Era uma noite de riso fácil, e o seu toque me fazia acreditar que era de verdade.
Você me dizia que eu ficava bonita mesmo sem nenhuma maquiagem. E eu ria daquele absurdo.
E quando eu achava que meu mundo estava prestes a desabar, eu via você lá. Segurando a minha mão. Dizendo que sempre cuidaria de mim.
Meu coração parava quando você me olhava.
Olha o que você está fazendo comigo...
As pessoas já comentam que pode ser que eu (e veja que coisa), que eu, estaria me apaixonando...

domingo, 8 de agosto de 2010

Vai ser divertido

Ele faz mais do que apenas mexer comigo.
Ele me pira.
E quando ele se aproxima eu perco chão.
Mas quando ele me abraça fica tudo bem...
Tenho a sensação estranha de estar abrindo uma porta desconhecida.
E dentro dessa porta é meio mágico.
E ele está lá.
E eu sinto que estou chegando mais perto.
E eu sinto que é lá que eu deveria estar.
Uma sensação bonita.
Fantástica.
E aquele frio na barriga impertinente. Teimoso. Não vai embora por nada.
Sinto que estou no lugar certo, com a pessoa certa.
Sinto que as coisas vão mudar.
Tenho sentido muitas coisas.
Sentido ele principalmente.
Meu. E perto de mim
Não sei de muita coisa.
E nem quero saber.
Tenho uma sensação tranqüila. Uma sensação de que vai ser excitante.

Eu. Tenho a sensação de que vai ser divertido...

Psicodelia.


Bebidas.
Multicoloridas.
Mulheres.
Irresistíveis.
E closes ginecológicos.
Música alta.
E tudo parece meio embaçado agora.
As pessoas. E as luzes. E os passos. E tudo se torna lento.
E todos parecem girar.
E você me leva pra longe.
Pra me beijar.

Pra não ter que te encarar

As vezes, pra não ter que te encarar, irresistível, eu fujo.
Você sabe exatamente os pontos pra me enlouquecer.
E abusa.
As nossas cores são tão fortes. Tão nossas. E tão lindas. E tão nossas...
E nossa complexidade. Ela é simples.
Acho graça.
Pra não te encarar eu provoco.
Falo com outros caras. E me divirto.
Você tão meu. Pega outras nos braços.
Eu choro.
E pra não te encarar. Eu choro.
Tento ser flexível. Moderna.
Não consigo. Como conseguir? Quando nós dois somos tão caretas.
Um caso tão antigo como o nosso pode ser tudo, menos flexível (não só por ser antigo, mas principalmente por ser nosso.).
E vamos combinar, Amor.
Ele é tudo!
Nossa vida. Ela já esta ligada. E não tem mais término. Briga. Mulheres. Outros beijos, outros casos e outros amassos. Não tem mais nada que interfira.
Eu não resisto ao seu charme. Ao seu olhar. Não resisto a você, Amor.
Então, pra não ter que te encarar, eu fujo.

e você nem sabe...

Eu queria tanto que você não tivesse medo.
E que me deixasse chegar mais perto.
E que me desse uma chance.
Uma chance pra eu te fazer feliz.
Eu queria que talvez você considerasse a idéia de nós dois juntos.
E que talvez, você pudesse gostar...
Eu queria que quando eu me aproximasse você se alegrasse.
Não que fugisse como você faz.
Eu queria poder dizer eu te amo sem correr o risco de ser humilhado.
Você poderia apenas dizer que não.
Mas você nunca faria só isso.
Mas, tenho que lhe confessar, eu queria.
Eu te amo. Queria que você soubesse.
Mas infelizmente, você não sabe.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dear Harry,

Harry, você sabe que eu só vou te machucar, não sabe?
Tudo bem, agora me escute, querido.
Eu não quero lhe encher com promessas.
Pode ser que eu as solte enquanto estivermos juntos. Mas não acredite nelas. Por mim. Não acredite. Eu não sei me conter quando fico entusiasmada.
Você vai tentar me conquistar até o fim, eu sei. Você não é o primeiro.
Você vai ver os meus olhos brilharem como cristal.
Vai reparar que meu sorriso sincero chama por você.
Vai sentir o meu corpo se encolher em seus braços em uma noite gelada.
Vai reparar que eu nunca esqueço as nossas datas, nossos apelidos, e que nunca confundo o seu perfume.
E vai, orgulhosamente, pensar que está quase lá.
ESQUEÇA, Harry!
Lembre-se que eu vou apenas partir o seu coração. E será um estrago grande se você não me escutar.
Antes de nos apaixonarmos e antes que eu lhe deixe, é bom lhe avisar.
Todos me chamam de destruidora de corações, ou de lares ou seja lá do que eles me chamam.
Olhe pra mim. Você acredita que eu seja realmente tudo isso, Harry?
Basta olhar pra mim. Nos meus olhos. Não precisa responder.
Eu não quero agradar ninguém.
Mas se você se apaixonar por mim, preste bem atenção, eu, não sou fácil de agradar.
E antes que tudo acabe, lembre-se que eu lhe disse desde o principio. Eu só vou partir seu coração.
Sim.
Mesmo com todas as pistas apontando pra verdade que você mais quer acreditar.
Chegará o dia em que eu vou embora.
E você vai olhar pra nossa foto. E vai olhar pra mim. E vai me ver indo embora.
Usando aquele vestido branco que você adora. E o meu cabelo solto bagunçado. Do jeito que você mais gosta.
E quando você começar a envelhecer. E quando eu começar a sentir frio eu vou voltar pra casa de novo.
Adeus, Harry.
Eu te vejo por aí. Eu vou pra algum lugar, com as borboletas. Sem direção. Flutuando sobre o oceano. Vou me afastando.
E enquanto eu não estiver com você.Vou estar sozinha. E o meu desejo pra estrela vai ser que você esteja bem. Mesmo sem mim.
Meu querido, Harry.
Por favor. Me escute. Eu vou apenas partir seu coração.
Relembre dos dias gelados que nós incendiamos.
Mas, Harry, quando você começar a envelhecer. E quando eu começar a sentir frio, eu vou voltar pra casa, de novo.

Tudo pra ela

Ela é do tipo que não se impressiona com nada.
Flores. Carros. Cartas. Doces e Diamantes não significam nada pra ela.
E todos sabem que ela é uma tremenda encrenca.
E mesmo assim. Ainda corremos atrás dela.
E quando ela começa andar todos param pra olhar. E veja onde ela está indo.
Ela merece tudo.
Ela acredita ser uma tragédia.
E que tragédia bem feita...
Assistiria pra sempre.
Ela tem o controle. E quando. Ela começa a andar todos param pra olhar.
Ela se faz bonita de maneira tão fácil. Mais que qualquer uma.
Ela merece tudo.
Não basta que você tenha um papo apenas profundo. Intelectual.
Não adianta tentar comprá-la com marcas.
Eu já lhe disse. Ela não se impressiona com nada.
E quando. Ela começa a andar todos param pra olhar.
E ela.

Merece tudo.

Por favor, volte pra mim

Sei que você tem muitos motivos pra não me escutar.
E que o que eu vou falar agora pode estar repetitivo pra você.
Estou abrindo meu coração.
Quero lhe dizer tudo que senti desde o começo.

Nós nos conhecemos. E foi tudo ao acaso.
Eu te vi linda. Dançando. Não sei como (de verdade não sei) mas naquela noite eu te tive pra mim.



Pode ter sido culpa das bebidas que você tomou, e que como não estava acostumada causou algum efeito maior em você do que nas suas amigas.
Pode ser que eu tenha realmente falado o que você queria ouvir.
Pode ter sido a sua carência.
Pode ter sido várias coisas. O fato é que naquela noite eu senti que você era minha.
E te procurei.
Você foi, aquilo que eu já sabia que seria. Linda.
O tempo foi passando e eu não consegui evitar, criei um joguinho.
E a cada dia que nos falávamos você se tornava mais minha.
A única coisa que você fez pra mim foi ser perfeita.
O que mais me encantava em você, além de tudo em você, era o fato de que eu sabia que você poderia escolher qualquer um. E escolheu a mim.
Eu tinha pressa em mostrar pra todos que estávamos juntos.
Não, Pequena.
Talvez possa doer, mas preciso ser sincero.
Eu não abri mão das outras enquanto estive do seu lado.
Estupidez eu sei.
Eu tive medo. Medo do desconhecido caminho que eu estava trilhando.
O de me apaixonar.
Você não sentiu a minha ausência porque ela na verdade não existiu.
Eu sempre estive ao seu lado.
Enquanto você estava no salão fazendo seu cabelo, sua unha e sua pele pra mim. Sorrindo. Eu estava em algum outro lugar. Sorrindo. Com outras.
Quando você me ligava. Eu era só seu.
Ficava a sua disposição e cada gesto que você fazia me deixava surpreso.
Eu já tinha escrito um manual pra você mas você me fazia reescrevê-lo todos os dias, e me deixava boquiaberto.
Acredite em mim, pelo menos nisso. Você foi diferente.
É. De todas que eu já tive.
Eu sou um desastre no amor, me perdoe. Por isso e por todos os erros.
Depois do que lhe fiz, e depois que lhe perdi, está muito difícil lhe encarar.
Eu sempre te tratei como uma boneca. Eu juro que tinha vezes que eu tomava cuidado na hora de te abraçar com medo que pudesse lhe machucar.
Isso não foi fingimento.
Eu realmente cuidava de você.
Eu olhava nos seus olhos e te via sonhando.
Sim, Pequena. Você me descobriu. Eu não tive a coragem nem de lhe falar a verdade. Menti. Mais uma vez. Neguei tudo.
Eu caí em mim quando eu vi que você não era tão indefesa assim, e na mesma noite que descobriu tudo saiu deslumbrante com todas as suas amigas, deslumbrante.
Fez-me querer morrer. Todos olhando pra você. E eu sem poder fazer nada.
Nesse dia eu quis de verdade lhe contar. Mas quando você veio conversar comigo.
E chorou.
Abraçou-me como uma criança. Desprotegida.
E perguntou “por que você fez isso comigo, se eu te amo tanto?”.
ISSO, ME FEZ QUERER MORRER.
Eu quis muito lhe contar. Mas não consegui. Fui fraco.

Eu sei que tudo isso é nojento. É uma coisa que hoje me envergonha muito.
Mas se você conseguir acreditar em só mais uma coisa que venha de mim, eu lhe peço que acredite que eu amo muito você.
E que independente de qualquer coisa que fiz, eu te quero mais que tudo.
Que os dias passam muito lentamente.
E que as noites fazem muito frio sem você.
Que eu te quero mais que tudo e que, por favor, volte pra mim.

S.O.S.

Se agora eu pudesse escolher.
Eu morreria.


Mas ninguém nunca permitiu que eu escolhesse...
Continuarei com esse caos.
Com essa rotina desgastante.
Com essa ferida exposta.
Com esse ‘não agüento mais’ estampado na minha alma.



Já pensei diversas vezes em ir embora.
Mas pra onde?
Ele sempre foi minha vida...
Pra onde ir agora sem ele?
Lugar nenhum...
Ficar aqui esperando que os dias se acalmem? Se acomodem?
Eles já estão assim há muito tempo.
Quem dera eu, poder esquentar as coisas.

Eu te desafio a brincar com fogo.



Eu te desafio a brincar com fogo.
Comigo.
A quebrar todas as regras inúteis e dar uma volta essa tarde...
Eu te desafio.

Você me disse ontem que se arrependia do que fez.
Eu te desafio a parar de mentir...
Vai dizer que não foi bom?
Depois de todo aquele romance entre nos dois, sair apenas pra dar uns amassos...
Não diga que se arrepende. Eh mentira.
É tão fácil jurar que se arrependeu. Eu já fiz muito isso e hoje provo desse veneno amargo, incômodo.
Ela não é mais bonita que eu. E nem mais sexy.
O cabelo dela é falso, e suas roupas são bem mais curtas que as minhas.
Eu sei que ela tem as curvas bem mais voluptuosas que as que eu tenho.Não negue. Eu não me ofendo.
Sempre soube que não era isso que você procurava em mim...
Mas olhando pra mim, diga, ela tem o meu toque suave sobre a sua barba por fazer?
Ela tem o olhar tímido e cúmplice de alguém que só soube te fazer feliz?
Olhando pra mim, diga, e agora? O que vai fazer a respeito do meu perfume?
Sei que você pensou que ela estaria ao seu lado quando você precisasse. Mas procure então, ela não esta ai.
E veja só. Na madrugada. Embriagado. Quando os sentimentos estão mais vivos. Quando a verdade não pode ser oculta.
Quando isso acontece, quem você procura, sou eu...

domingo, 1 de agosto de 2010

cold and you

A madrugada estaria fria se você, não aquecesse meu pensamento.
A noite passada teria sido um erro se você não tivesse ficado ao meu lado. E talvez eu nem me lembrasse dela.
Se não fosse por você, os pedaços do meu coração partido ainda estariam espalhados pelo chão, como as garrafas quebradas da festa da noite passada.
Você diz pra mim que eu sou linda.
E conforta minha insônia.
Sim. Fique confortável pra me chamar de sua.
Não hesite em me contar sobre o seu dia. E sobre a sua musica.
E sobre o seu passado.
Não pense que eu não ligo quando eu mudo rápido de assunto, isso faz parte do que você gosta em mim. Ser escorregadia.
Imagine que talvez eu só não me sinta a vontade pra falar dela com a naturalidade que você fala.
Eu sei que a naturalidade em você é uma bonita prova de que, ela, já foi. Mas eu não me sinto a vontade com os olhares que ela manda pra mim... Já estive naquele lugar...
Ela ainda chora por você. Isso não me faz feliz, acredite.
Mas vamos encarar os fatos de que ele nunca lhe deu o valor que você merece.
Sei que ela é uma pagina virada. Pra você.
Você.
Fique comigo mais uma vez.
E me prometa apenas (pelo menos) só mais uma dose sua.
Dê-me um beijo. E vá embora.
Se ficar aqui, eu também ficarei.
Pra sempre de ressaca.

Thanks for the heartbreak

Olhe pra trás. Pra mim.
Repare.
Eu te deixo nervoso?
Não minta, meu caro.
Suas mãos suadas te entregam. Seus olhos inquietos a ainda sim, paralisados.
Suas pernas trêmulas.
Você.
Você não resiste a mim eu sei.
Não se mexa.
Estou chegando mais perto.
Feche os olhos e sinta.
Sinta minha respiração na sua nuca.
Meu corpo no seu.
Agora.
Estou indo embora.
Olhe pra trás. Pra mim.
Veja uma mulher que esteve aqui por um bom tempo.
Com você.
Uma mulher que agora ri sem remorso.
Que agora usa a saia no tamanho que quiser. E o salto também.
E o batom da cor preferida. Vermelho!
Que desfila rumo a lugar nenhum. Deslumbrante.
Veja bem, uma mulher que já foi sua. Sua.
Que agora não é de mais ninguém.
E que você vai chorar bastante quando for de outro.
E acredite em mim, serei.
Porque sempre há um alguém empenhado o suficiente para me sufocar de amor.
De paixão.
Veja uma mulher que agora, indo embora, agradece.
Obrigada pelo meu coração partido.