Época em que os sonhos começam a querer ansiosamente me alcançar.
Onde o sol sorria a cada manhã e aquela peculiar raiva adolescente do mundo começa a desaparecer, fantasticamente, dando lugar a um mundo cinza, porém cheio de arco-íris, sem muitas ilusões, mas com um sabor incrível. Um mundo que você já sabe como é, mas ainda fica louca de vontade de descobrir. De provar. De se lambuzar até não agüentar mais.
E foi nesse mundo, nessa época, que eu conheci o Anthony.
Ele não se parecia nem um pouco com os caras que eu costumava sair no ginásio. E eu que pensava que já tinha me apaixonado...
Aquilo era amor e dessa vez eu podia sentir. Eu podia sentir o amor em cada pedaço de mim e dele.
Anthony me comoveu de uma forma que eu nunca tinha experimentado. E foi isso que fez dele o primeiro da minha lista.
Depois do que eu vivi com ele eu descobri o quanto a vida era chata e o quando eu era sozinha nela antes de conhecê-lo.
Com o jeito que ele me abraçava e me tocava e me sentia e me cheirava eu podia jurar que ele me amava.

Com o jeito que ele me amava eu poderia jurar que era de verdade.
Eu poderia jurar. Mas não fiz isso porque o mundo colorido não existia mais. Esse era um mundo mal. E meu arco-íris tinha chegado ao fim.
E lembra, do que disseram uma vez pra gente? Garotas grandes não choram. Então se recomponha Julie. Você sabia que esse mundo era assim.
Ele se foi. Se foi levando o restinho da menina romântica que havia dentro de mim. A que acreditava nos finais felizes, nas borboletas no estomago e que ainda não tinha certeza que papai Noel não existia.
Se foi...
E foi como se nunca tivesse passado por mim. Como quem não sabe muito bem o que veio fazer aqui, então se foi, talvez pra não fazer mais tumulto, talvez pra não se apaixonar, talvez pra não bagunçar mais nada, talvez porque tivesse que ir...
E é isso que eu gosto de acreditar. Que ele se foi porque era necessário e que de alguma forma foi pra me poupar.
É como se ele não tivesse existido.
Anthony se foi sem deixar rastros, pistas ou telefones pra contato. A única certeza, a única prova de que ele foi de verdade é a cicatriz bem grande que eu tenho em meu peito e que sangra, que dói e que vez em quando, não aguenta mais.
É, ele foi de verdade. A verdade mais doce e mais charmosa que eu já conheci.
Mas se foi...
E por um lado foi bom. Bom para aprender que nesse mundo cinza, devemos ficar atentas quando depararmos com um belo arco-íris. Encontrá-lo não significa felicidade eterna nem nenhuma dessas bobagens, ainda temos que chegar do outro lado e checar o pote de ouro. E se por acaso ele não estiver mais la, devemos tomar cuidado com a chuva que vai acabar caindo. Com a tempestade.
Às vezes o caminho pra chegar do outro lado é tão bonito que a gente esquece que talvez vá doer... E como doeu.
Agora eu preciso ir. Chega de historinhas sobre mundos feios e multicoloridos, potes de ouro e arco-iris. Essa selva de cimento me chama e eu ainda tenho muito que fazer. Assim que as fadas terminarem de arrumar meu cabelo e acabarem de bordar meu vestido irei correndo para mais uma aventura nessa fantástica rotina sem fantasia.




