quarta-feira, 26 de maio de 2010

Da sempre tua, Capitu.

Permaneço a sua espera inquieta.
Permaneço a sua espera a esperar por outros.
Esperar por você.
Não escondo minhas virtudes. Muito menos meus pecados.
Mostro-os todos. Os escancaro.
Deixo-te boquiaberta e saio a rodopiar.
Confesso-lhe meus segredos mais íntimos.
Não lhe conto nada.
Os dias passam, e você Bentinho, me ama.
Vivo meus sete pecados capitais.
E te amo. Como te amo.
E você, Amor, acredita.

“Capitu refletia. A reflexão não era coisa rara nela, e conheciam-se as ocasiões pelo apertado dos olhos. (...) Como vês, Capitu, aos quatorze anos, tinha idéias atrevidas, muito menos que outras que lhe vieram depois; mas eram só atrevidas em si, na prática faziam-se hábeis, sinuosas, surdas, e alcançavam o fim proposto, não de salto, mas aos saltinhos.”
Dom Casmurro.

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